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Archive for the ‘Período 3º’ Category

Porquê Sardenberg errou a previsão da Copa 2010

10 de Julho de 2010 Deixe um comentário

Não poderia deixar de comentar algo relacionado com a Copa. Comentarista da TV Globo e âncora da Rádio CBN, o economista Carlos Alberto Sardenberg propôs uma fórmula para prever quem seria o grande campeão, a qual o Brasil aparecia como o favorito. Não aconteceu. Por que? Antes de responder, vale dizer que estou me sentindo como um fungo unicelular entre os dedos dos pés de Davi ao enfrentar Golias, mas vou aproveitar o clima desportista: o importante é participar!

Como Foi: Sardenberg separou três critérios principais para usar na probabilidade: (a) a população do país, (b) a renda per capita e (c) a colocação do país no ranking da FIFA. Para ele, quanto mais populoso fosse um país, mais jogadores haveria; e quanto maior a renda per capita, mais rico seria o país, dando condições para se investir em uma estrutura profissionalizante de futebol. O ranking da FIFA seria um medidor da qualidade do futebol de tal país.

Como É: Na minha opinião, um país mais populoso não é necessariamente aquele com mais jogadores pois precisamos nos lembrar do fator popularidade do futebol. Por exemplo, a China é muitas vezes mais populosa que o Brasil, mas será que há mais jogadores chineses que brasileiros? Não sei, mas provavelmente não. Segundo, será que a renda per capita está ligada ao esporte de melhor qualidade? Talvez, mas eu diria que não necessariamente. No Brasil mesmo, o esporte é uma das poucas opções da fuga da pobreza. Levando isto em consideração, podemos até dizer que renda per capita e quantidade de profissionais são na verdade inversamente proporcionais. Por último, o ranking: se a FIFA já enumera os melhores times de futebol, por que então existe um torneio da própria FIFA para se disputar justamente quem é a melhor seleção? Finalmente, qual das duas maneiras se define a melhor seleção? É meio paradoxal isso.

Como deveria ser: Primeiro, a população absoluta deveria ser ajustada pelo o grau de popularidade do futebol: que porcentagem da população pratica o esporte regularmente. Depois, averiguar a renda per capita versus investimento no esporte, ou seja, um índice que indica como cada país dedica seus recursos para o futebol, que também 
deve variar bastante por causa da popularidade do esporte. Por último, dar menos ou nenhuma relevância ao ranking da FIFA, pois no campeonato mundial, os times estão submetidos a outras múltiplas variáveis que geralmente faz o resultado fugir daquele proposto pelo ranking.

No final das contas, seria bem mais fácil falar que a fórmula apresentou apenas a maior probabilidade.

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Categorias:Período 3º

Seguro contra bala perdida

25 de Fevereiro de 2010 2 comentários

A Bradesco Seguros começou a vender seguros populares de acidentes pessoais em duas das favelas mais simbólicas do Rio de Janeiro e de São Paulo, Rocinha e Heliópolis. Por 3,50 reais mensais, o seguro abrange inclusive balas perdidas. Em caso de morte, a família do segurado recebe 20 000 reais. Quase 500 contratos já foram fechados. (Revista Veja)

A notícia é interessante, apesar da revista que a publicou. Quando o Estado não fornece oferta de tal serviço suficiente para suprir a demanda, as empresas privadas aparecem para tomar esse pedaço do mercado e cobram por isso. A principal diferença entre o mesmo serviço prestado entre o setor público e privado é o preço: as empresas visam lucro, então o preço é maior.

Se, por exemplo, o Estado não conseguisse suprir a demanda por serviços de saúde, não seria de imediato que hospitais privados surgiriam. Primeiramente a relação demanda/oferta teria de ser tão grande ao ponto de que as pessoas pagariam uma taxa extra, fora os impostos, para consumir tal serviço: daí surge o lucro necessário para a existência do setor privado.

É por isso que a nova jogada do Bradesco assusta. A falta de segurança não é apenas horrível, mas tão horrível ao ponto de ser lucrativa. É claro que o setor privado de segurança já existe há muito tempo mas, mesmo com todos os produtos, a probabilidade de um ato violento acontecer tornou-se tão elevado que é propício existir um serviço privado de seguros para tais acontecimentos.

Estacionamento gratuito para idosos: bom ou ruim?

12 de Janeiro de 2010 1 comentário

Farei uma breve análise econômica da seguinte notícia local: “Em Jaboatão dos Guararapes, no dia 17 de dezembro, entrou em vigor a lei n° 357/ 2009, que garante o estacionamento gratuito para idosos com idade igual ou acima de 60 anos.” – Folha de Pernambuco.

A justificativa dos legisladores é nobre: “além de beneficiar os idosos, esta lei é um incentivo para os mesmos irem às compras com mais frequência, fazendo que o estabelecimento lucre ainda mais”. Ingênuos ou satíricos. Se a gratuidade do estacionamento de fato aumentasse o lucro,  os empresários dos estabelecimentos  teriam notado isso bem antes que os legisladores, tendo efetuado a gratuidade há muito tempo, nao é mesmo?

O custo de manutenção do estacionamento é relativamente baixo: segurança, pavimentação, catracas, etc. Mas o maior custo em manter um estacionamento é o de oportunidade: no lugar poderia haver novas lojas, alugado para eventos ou até vendido.

Os estabelecimentos, principalmente o Shopping Guararapes, não irá arcar este novo custo sozinho. Das duas, uma: (1) o shopping irá repassar o custo na taxa de estacionamento daqueles com menos de 60 anos ou (2) o preço do estacionamento continuará o mesmo mas o shopping aumentará o aluguel das lojas, que repassará o aumento para os preços de seus produtos e serviços.

No final das contas, o consumidor final(inclusive o idoso e o legislador) irá pagar mais para usar o mesmo estacionamento e para comprar os mesmos produtos que antes, isso sem que o Governo ganhe nenhum trocado, já que não é imposto. Vendo esses eventos dá vontade de ser radical do liberalismo econômico, mas não vivemos sem os gênios políticos, não é? Ah, feliz 2010!