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Archive for the ‘Bombou!’ Category

Vitrine Líbia a Céu Aberto

3 de Abril de 2011 Deixe um comentário

Ao contrário da restrição aérea na Líbia, a exposição do arsenal de guerra ocidental está liberada.

Uma coisa é ser óbvio, outra coisa é ser oficial. É óbvio que a França aproveita a guerra para demonstrar seu arsenal de guerra, principalmente o caça Rafale. Mas oficializar é, no mínimo, triste: foi assim que fez o subdiretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas francês, Jean Pierre Maulny, ele disse que “embora o Rafale já seja empregado no Afeganistão, esse conflito não é popular. E por isso, os industriais precisam informar sobre o material. Talvez [ a operação na Líbia] seja  uma forma de fazer publicidade do Rafale graças à experiência em combate”.

Sim, triste. Mas realista. Eu mesmo não gosto de me iludir com mentiras. A realidade é que esta guerra, teoricamente à favor da democracia, também é movida por dinheiro. Apesar da motivação monetária estar no fim da frase, estou inclinado a dizer que é o motivo mais importante. Dinheiro que, no caso do Brasil, é representado pela cifra de R$ 4 bilhões, custo que o governo pretende gastar na compra de 36 caças onde o Rafale está na disputa, junto com o Gripen NG da sueca Saab e o FA-18 Hornet da americana  Boeing.

A experiência conta à favor da posição francesa, pois o mesmo foi feito em 1967 na Guerra dos Seis Dias, no Irã. Na ocasião, depois da vasta utilização do Mirage 3, o modelo tornou-se fonte de renda para a França até o fim de 1980. Tudo bem, a França tem crédito democrático pela Revolução Francesa. Mas, infelizmente, ela foi  movida basicamente por interesses econômicos: produção agrícola insuficiente, atingindo principalmente os camponeses; e negação de novos impostos ao clero e nobreza, que buscaram ajuda nos burgueses, que por sua vez aspiravam ascensão.

Por favor, não estou querendo com este post difamar os franceses ou dizer que tudo é dinheiro. Mas precisamos saber que cada um age baseado em um incentivo e muitas pessoas têm no dinheiro um grande incentivo: sejam franceses, líbios os brasileiros.

Fonte: Reportagens Portal Exame

Sarkozy afirma que aviões franceses já estão combatendo na Líbia (19/03/2011)
Aviões franceses abrem fogo contra tropas de Kadafi (19/03/2011)
França realiza 1º disparo contra veículo pró-Kadafi na Líbia (19/03/2011)
Aviões franceses retomam operações na Líbia pelo 3º dia (21/03/2011)
Líbia, uma salvação comercial para o Rafale francês (21/03/2011)
Aviação francesa destruiu pelo menos 5 aviões líbios e 2 helicópteros (26/03/2011)
Franceses bombardeiam ‘centro de comando’ perto de Trípoli (28/03/2011)
Consórcio Rafale faz parceria com empresas mineiras (01/04/2011)

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Apagão nacional pressiona o programa nuclear

11 de Novembro de 2009 10 comentários

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“Houve desligamento completo de Itaipu”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A hora do blackout não poderia ser melhor. Quer dizer, poderia: às 22h, quando aconteceu o apagão, a maioria das pessoas estavam efetuando as últimas atividades do dia, mas o efeito do blackout no horário de pico das 18h seria bem mais devastador. Independente da causa, falhas técnicas, causas naturais ou ação governamental(dá-lhe conspiradores!), a dependência do Brasil em apenas uma termoelétrica tornou-se clara.

O blackout deixou o Brasil às escuras, porém focou os holofotes no “plano do Ministério de Minas e Energia para expansão e diversificação da matriz energética até 2030. Pelo plano, o país, hoje com duas usinas atômicas funcionando, deverá pôr em operação entre quatro e oito novas unidades nos próximos 20 anos.” Na verdade, oito novas usinas irão gerar 7.300 MW/h, metade de Itaipú.

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O feitiço sindicalista retornou ao feiticeiro Ford

2 de Novembro de 2009 Deixe um comentário

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Em abril a Chrysler fez o pedido de concordata e posteriormente foi adotada pela italiana Fiat, junho foi a vez da General Motors anunciar a “quase-falência”. A única das “Três Grandes de Detroit” a sobreviver foi a Ford, em seus 105 anos de existência. Não apenas sobreviveu mas também surpreendeu: divulgou um lucro líquido trimestral de US$ 997 milhões, enquanto registrou prejuízos líquidos de quase US$ 3 bilhões  em 2007 e de quase US$ 15 bilhões no ano passado, o  pior desempenho da história da empresa.

A Ford foi a única a não receber e nem pedir por estímulos diretos do governo, mas pediu bastante dos seus trabalhadores.Henry Ford foi conhecido por suas atitudes um tanto quanto inusitadas como, por exemplo, pagamento de salários bem acima da média, entre outras medidas trabalhistas não-usuais para a época que acabavam aumentando o custo que porém geravam lucros líquidos relativamente maiores àqueles anteriores.

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Freakonomics 2.0

20 de Outubro de 2009 2 comentários

Fala galera. Hoje foi lançado nos EUA a segunda versão do livro mais famoso de Economia da história, o Superfreakonomics, sucessão do Freakonomics. Depois de ser traduzido para 35 idiomas e ter vendido mais de 4 milhões de cópias, o Freakonomics deu outro parâmetro aos livros de economia nunca antes alcançado.

Um novo gênero de livros foi criado: análise e explicação econômica em situações aparentemente sem ligação. Tal gênero já foi -copiado- por alguns autores brasileiros, como nos livros Sexo, Drogas e Economia e o Sob a Lupa do Economista, os quais pretendo ler assim que tiver tempo e dinheiro, pois abordam questões bem interessantes do nosso país, enquanto o Freakonomics é focado no contexto dos EUA, abordando questões como:

  1. Professores vs. Lutadores de Sumô
  2. Por que os traficantes moram com as mães?
  3. e o mais intrigante: Legalização do Aborto vs. Redução da Criminalidade

O interessante do livro é que os autores, além de discutir assuntos inesperados, normalmente mostram que o senso comum normalmente está errado. Através da análise de extensos dados, eles constataram que a redução do crime na década de 1990 nos EUA não fora ocasionado por questões defendidas pelo senso comum, como redução de armas disponíveis e mais policiais mas sim, em grande parte, como um efeito da legalização do aborto na década de 1970.

Agora na segunda versão, o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner debatem sobre, por exemplo:

  1. O que é mais perigoso: andar ou dirigir bêbado?
  2. Por que os homens-bomba deveriam ter seguro de vida?
  3. Por que os indianos não usam camisinha?

A pré-venda do livro em português está custando 54 no Submarino. A primeira versão eu comprei em inglês por apenas 18 reais, pois em português estava 44 reais, um absurdo. O jeito é esperar o preço baixar ou sair a versão em inglês nas lojas brasileiras, que além de mais barato também deve ser até melhor que a versão em português(traduções normalmente não são fiéis). No aguardo!

Edit(20/10): Na Livraria Cultura a versão em inglês está custando 34,99 reais (clique), vou esperar baixar até uns 20~25.
Edit(21/10): Saiu uma matéria MUITO boa sobre o novo livro, inclusive com palinhas dos estudos e conclusões . Veja no Portal Exame.

Nobel de Economia 2009!

12 de Outubro de 2009 1 comentário

Hoje o apelidado Nobel de Economia 2009 (Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel) foi divido entre os americanos Oliver Williamson e Elionor Ostrom, primeira mulher a receber tal prêmio desde que foi criado, em 1968. Juntos, dividirão 1,4 milhões de dólares, fora medalhas de ouro e diplomas pessoalmente entregues pelo rei sueco.

Segundo a instituição, Elionor recebeu o prêmio por “sua análise da governança econômica, especialmente em aspectos comuns às pessoas em geral“. De forma mais profunda: “desafiou a sabedoria convencional de que a propriedade comum é mal gerenciada e deveria ser regulada por autoridades centrais ou privatizada. Baseada em vários estudos, analisando florestas, pastagens e lagos, entre outros, ela concluiu que os resultados mais comuns são melhores que os previstos pelas teorias convencionais”. Professora da Universidade Indiana em Bloomington, Illinois, é formada em Ciências Políticas mas se considera uma economista política (grande mulher!), ela comentou: “foi uma imensa surpresa”,  “estou um pouco em choque”

Já Williamson trabalha na Universidade da Califórnia, em Berkeley.  “Suas análises da governança econômica, especialmente os limites da firma” foi a razão de sua consagração. Williamson estudou as condições para que as companhias ganhem espaço na resolução de conflitos e os limites para isso, especificamente: “a razão pela qual algumas decisões econômicas ficam a cargo dos mercados e outras dentro das corporações.  Quando a competição de mercado é limitada, as empresas são mais capacitadas para resolver conflitos que os mercados”.

Uma observação a ser feita é que o estudante do primeiro ano de graduação em Economia, Quintus Pfuffnick, foi indicado para o prêmio. O Nobel do ano passado, Paul Krugman, destacou que o estudante possui grande potencial para os anos futuros, que inveja!

Categorias:Bombou!, Período 2º

Aniversariante e Terrorismo

2 de Outubro de 2009 Deixe um comentário

No último 15 de setembro, completou-se 365 dias desde que o Lehman Brothers quebrou, fato que simbolizou o início desta recessão econômica. A injeção de capital na economia para estimular o consumo e aumentar a liquidez foram ações fundamentais, porém fez que a conta do bolo de aniversário fosse bem caro. Para ser mais exato, “Estima-se que essas ajudas tenham chegado a US$ 10 trilhões ao longo do ano no mundo. E quem vai pagar essa conta é o contribuinte”, diz Antonio Correa de Lacerda, professor-doutor do departamento de economia da PUC-SP.

10 trilhões = 10.000.000.000.000

Apesar do FMI ter declarado o fim da crise,  para muitos economistas ainda haverá um segundo aniversário. Segundo Lacerda, “Não foi mexido na estrutura da coisa. Todos os problemas que geraram a crise de 2007 e 2008 ainda estão presentes. Então, há uma crise que pode surgir a qualquer momento”. Também Roberto Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos, prevê: “Acho que ainda vamos ter problemas até o segundo semestre de 2010”.

Falando em previsão, a depressão já possui 3 anos de idade, segundo Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York. Ele afirmou durante uma palestra para o FMI, em 7 de setembro de 2006, que uma crise no setor imobiliário estava surgindo. Tal previsão não era tão difícil de se fazer: depois dos atentados de 11 de setembro, o então presidente do Federal Reserve (BC dos EUA) Alan Greenspan, viu-se obrigado a cortar várias taxas de juros para estimular a economia do país. Tal ação aumentou drasticamente a demanda do mercado imobiliário e, em conjunto com crédito barato e preços elevados, criou a temida e frágil -bolha-, pronta para estourar.

É claro que o empréstimo para pessoas com baixa capacidade de pagamento da dívida(chamados “subprimes”) era arriscado para os bancos mas, ao mesmo tempo, tentador. Para driblar este risco, os bancos recorreram ao processo chamado de secutirização, que é o agrupamento destes papéis de dívidas e a venda deles no mercado financeiro. Cada papél de dívida era avaliado entre AAA e B, de acordo com o risco (AAA = menor risco). Para facilitar a venda das dívidas dos subprimes que eram classificados na faixa entre BBB e B, foi criado um órgão chamado Fundo CDO (Colateralized Debit Obrigations), que reclassificava estes papéis de alto risco novamente entre AAA e A. Logo, títulos de dívida que na realidade eram BBB ganhavam maquiagem de AAA e assim eram vendidos.

Clique para ver a linha do tempo da crise
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Com o tempo, o índice de inadimplência foi crescendo entre compradores de imóveis, fazendo que o preços destes despencassem e fossem devolvidos. Para piorar, quando um banco tentava refinanciar um imóvel, pagava os juros restantes da hipoteca mas, para isso, recorria à empréstimo de outros bancos. Porém, quando percebeu-se a presença dos “títulos podres”, estes empréstimos interbancários foram cessados. Sem dinheiro dos credores ou acesso a crédito, e em posse dos títulos podres, os bancos sentiram o estouro da bolha de frente e começaram a falir em um total de 52 até agora, só nos EUA. Começando pela quebra do Lehmon Brothers, que congelou o acesso ao crédito em escada mundial. A falta de crédito gerou redução do consumo, que afetou diretamente a taxa de emprego, reduzindo ainda mais o crédito e logo o consumo, criando um ciclo vicioso.

Roubini se pronunciou novamente no dia 02 de outubro de 2009 em Instambul, comentando que a crise possui um formato de “U” no momento, mas pode tomar forma de um “W”, com uma segunda queda, caso os estímulos econômicos sejam retirados de forma indevida ou em um período errado. Muitas felicidades, muitos anos de vida!

O Pré-Sal alheio à gladiação política

29 de Setembro de 2009 Deixe um comentário

Enquanto a propriedade das novas reservas de petrólio viraram foco nas discussões por poder e dinheiro no Congresso e em palanques políticos internacionais, no mundo econômico a engrenagem já está rodando, – também por poder e dinheiro – .

Para 2010, o FMI preveu um crescimento econômico mundial de 3% e o BC de 4,5% para o PIB brasileiro. Para a economia, não há mais tempo a perder, afinal foram 100 milhões de anos de espera para que esta mina de ouro negro se formasse e mais 2 anos de discussão política desde o anúncio das reservas.

Os 30 a 100 bilhões de barris de petróleo das novas reservas irão gerar 700.000 empregos diretos e 190 bilhões de dólares em investimento até 2013, a maior parte pela Petrobras. Aliás, a Petrobrás é vista como “a menina mais bonita da festa, todos querem dançar com ela” segundo Luiz Eduardo Rubião, diretor de soluções em petróleo e gás da Siemens no Brasil, mais uma empresa fisgada pela descoberta. Como “boa” estatal que é, a Petrobrás exige que ao menos 70% dos equipamentos usados nos projetos sejam nacionais, tudo para aumentar o nosso PIB!

O papel da Petrobras é atuar como um maestro, que rege uma legião de fornecedores de vários lugares do mundo para tocar projetos num mesmo ritmo“, diz José Miranda Formigli Filho, gerente executivo da estatal. Esta metáfora é mais do que justa, pois as empresas de exploração movimentam até seis cadeias de fornecimento: desde o serviço de alimentação até a fabricação de dutos e válvulas de enorme escala. A própria Intel, líder na fabricação de chips, concedeu a Petrobrás o seu mais novo produto, cinco meses antes do lançamento mundial.

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Em Pernambuco, as notícias também são boas:

[…]um novo estaleiro deverá ser construído junto ao porto de Suape. O consórcio do grupo Alusa,

Galvão Engenharia e da coreana Sungdong, deverá investir 500 milhões de dólares para instalar a nova fábrica de navios que irá disputar as futuras rodadas de licitação tanto da Petrobras quanto da Transpetro, o braço de transporte da estatal. Perto dali já funciona, com 3 000 trabalhadores, o Estaleiro Atlântico Sul, que está construindo petroleiros para a Transpetro. O governo prevê a construção de 49 navios nos próximos anos. Em Suape, no dia 11 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva armou palanque para anunciar o início da montagem do primeiro petroleiro do Atlântico Sul, que deve ser entregue em abril.

Portal Exame, 17 set 2009

Para nós universitários, o investimento em pesquisa petrolífera é vital para as empresas e brutal no sentido financeiro. Atualmente, a tecnologia para a exploração em águas ultraprofundas (5km de profundidade e 300km da costa) é precária, por isto a própria Petrobrás financia um programa de capacitação que investe 400 milhões de reais por ano que formará até 2013, junto com outras 114 empresas, cerca de 80.000 pessoas em 185 especialidades diferentes.

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