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Bens “Substitutos”

20 de Março de 2011 Deixe um comentário Go to comments

O brasileiro, ao comprar produto pirata, sente no bolso quase o mesmo que os moradores dos Estados Unidos sentem quando adquirem o produto original.

É o que diz a pesquisa Media Piracy in Emerging Economies da entidade de pesquisas, com base em Nova Iorque, Social Science Research Council. O item usado como base foi o DVD “Batman, o cavaleiro das Trevas”. O original custava para os americanos U$ 24, ajustando ao poder de compra vs. renda brasileira, custaria U$ 85 aqui. Já o “similar” nos Estados Unidos custava cerca de U$ 3,50, ajustando-se para a realidade brasileira, teria impacto de $ 20 para nós.

É claro que não vamos usar esta relatividade para justificar o consumo pirata, mas ajuda a explicar. Não é difícil intuir que considerando o mesmo preço para um item, quanto maior o poder de compra(renda), menor será o impacto deste item no orçamento final. Nessa lógica fica fácil identificar os países com maior tendência ao mercado ilegal: os emergentes, de baixa renda per capita.

Apesar disto, o Brasil foi recentemente retirado da lista de “mercados notórios” de pirataria e contrabando, feita pelos Estados Unidos. Do BRIC,  apenas o Brasil ficou de fora em 2011, com a China disparada em primeiro lugar geral. Infelizmente, esta notícia gera um incentivo para acreditar que a situação está boa, quando na verdade está apenas um pouco menos ruim.

O caso brasileiro é agravado com o crescimento da classe C, conhecida por seus hábitos de consumo bastante intensos. Segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, de 2006 para 2010, o número total de consumidores destes produtos subiu em 14 milhões, num total de 70 milhões de pessoas. A porção da classe C subiu de 49% para 53%, já para as classes AB houve uma diminuição de 53% para 47%.

Como vimos, 70 milhões de consumidores não é pouca coisa, é preciso uma campanha estatal mais efetiva: as políticas públicas de fiscalização e apreensão da pirataria poderiam ser bem mais eficazes com a conscientização das massas dos efeitos nocivos da pirataria. Muitos consumidores vêem os pirateiros como desempregados sem oportunidades, quando na verdade a pirataria é apenas uma fonte de receita para o mundo ilegal em geral, é simplesmente um ramo de comércio do crime organizado.

O tema seria bem interessante para um artigo econômico: primeiro tentar identificar o quão substituíveis são, para os consumidores de cada classe, os bens originais e piratas entre si. Depois mensurar qual o peso que uma cesta dos principais bens passíveis de pirataria tem nos gastos familiares. Em seguida tentar estimar a sensibilidade de consumo desta cesta em relação à renda. Com estes dados, será possível aproximar o aumento de consumo pirata com a expansão econômica e, a partir daí, calcular o quanto vale a pena o governo gastar em campanhas para reduzir este consumo.

Classe C impulsiona consumo de produtos piratas (30/11/2010)
EUA retiram Brasil de lista de pirataria (01/03/11)
No Brasil, DVD pirata custa mais que o triplo nos EUA (07/04/11)

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