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O novo e conflitante G-2

28 de Outubro de 2009 Deixe um comentário Go to comments

Opa. Este post especial é um resumo de duas matérias publicados no The Economist sobre como o crescimento econômico da China afeta e poderá afetar as relações com o atual líder econômico, nos aspectos propriamente econômicos e também tecnológicos e militares.

Ascensão Chinesa no século XXI

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“O Comunismo nos moldes chineses está rapidamente se transformando no Capitalismo nos moldes norte-americanos.” – Yan Xuetong, Tsinghua University

Cinco anos atrás, a China aparecia na sexta colocação mundial em Produto Interno Bruto. Em 2006 ultrapassou a França e Inglaterra, em 2007 foi a vez da Alemanha assumir a quarta colocação. As previsões feitas pelo FMI dizem que em até 15 meses a China, com uma média anual de crescimento em torno dos 11% irá ultrapassar o Japão, assumindo a segunda colocação com US$ 5,263 trilhões, US$ 76 milhões a mais que o Japão, que apresentou quedas anuais superiores a 10% durante a crise imobiliária financeira. Muitos economistas crêem que a China já ocupa a 2ª posição pois cerca de 20% da sua economia é informal, ou seja, não é contabilizado pelo PIB.

Laços Econômicos

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“No futuro iremos olhar o mundo através do Pacífico, para a China, e não mais através do Atlântico, para a Europa” disse o presidente americano Theodore Roosevelt, um século atrás.

Os dois países antes eram unidos por um inimigo em comum, a União Soviética. Mas com o desaparecimento deste inimigo, o ganho econômico mútuo é provavelmente a resposta mais cabível para a pergunta que indaga o porquê destas duas nações ideologicamente dististas deveriam criar laços mais fortes. Porém também há outros inimigos em comum no cenário: o terrorismo, a recuperação da crise, o aquecimento global, controle da gripe suína e proliferação nuclear. Esta transferência de riqueza e poder para o Oriente e países emergentes está afetando a maneira que os Estados Unidos lidam com o resto do mundo.

É importante ressaltar que os Estados Unidos são os maiores devedores e os chineses, maiores credores mundiais: hoje, a China é dona de US$ 800 bilhões dos papéis de dívida do governo americano, fornecendo aos chineses um poder vital sobre a economia norte-americana. Apesar desta vantagem, a economia chinesa é apenas 1/3 da americana considerando as taxas de câmbio do mercado. O PIB per capita chinês é 1/14 comparado ao desfrutado pelos norte-americanos, e a renda per capita anual chinesa gira entre US$ 6.000, enquanto o norte-americano está na faixa dos US$ 48.000. Em 2007, os Estados Unidos ocupavam o 1º lugar no ranking do PIB e 13º no ranking do IDH, quanto a China, na mesma ordem, ocupavam as 4ª e 92ª colocações, sobretudo porque 55% da população chinesa vive na zona rural.

Outro fato importante é que os norte-americanos consomem menos os chineses atualmente, cujo governo adota uma política de incentivos ao consumo dos produtos nacionais. Tal crescimento do consumo interno é horrível neste momento que os Estados Unidos enfrentam uma séria taxa de desemprego. Pois tal incentivo ao consumo interno  eleva mais ainda o protecionismo chinês, diminuindo as importações ou, em outras palavras, a demanda  chinesa por importações diminui, o que não é bom para os produtores-exportadores mundiais, inclusive os trabalhadores norte-americanos.

Mas o protecionismo é retrógrado: há pouco tempo atrás o presidente Obama instipulou uma taxação alfandegária extra sobre os pneus importados da China. Tal medida foi consequência principalmente da taxa de desemprego que pressionou o Congresso para o planejamento de uma tática que proteja o mercado norte-americano da exportação chinesa e do yuan desvalorizado. É uma pena que para tentar proteger a economia interna, a economia num todo será ruim para ambos países nesta possível guerra comercial.

Relações Militares e Tecnológicas

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A superação econômica dos Estados Unidos sobre a Ingleterra aconteceu sem derramamente de sangue, diferentemente da ascensão sobre a Alemanha e a França, como será com a China?

Com a grande detenção de ativos públicos dos Estados Unidos pelos chineses comentado anteriormente, há a possibilidade de acontecer o mesmo que houve entre a União Soviética e a  Europa Ocidental durante a Depressão: o “terror” de vender as dívidas governamentais seriam o preço a ser pago por tecnologias de tais nações devedoras, desesperadas em vender suas produções técno-industriais para criar alguma receita. Realmente, a China vem se irritando com algumas práticas norte-americanas de limitação à venda de tecnologia, principalmente as de cunho bélico.

Como visto no desfile militar em 1º de outubro deste ano, ocasião do 60º aniversário da fundação da República Popular da China(foto), foi possível constatar que os chineses realmente possuem numericamente o maior exército do mundo, proporcional a sua população. Retornado um pouco ao meu viés internacionalista, o setor tecno-bélico é importante para ser citado pois é fortemente ligado ao setor econômico. De forma simples, podemos afirmar que estes três pilares (economia, tecnologia e investimento militar) são diretamente proporcionais, salvo o caso que uma guerra ocorra de fato, desestimulando a economia. Tal afirmação é vista no rápido boom militar que a China está adentrando. Informantes de Washington afirmam que os chineses estão construindo seu primeiro porta-aviões. Apesar deste aumento no investimento militar, o orçamento de Defesa chinês ainda é seis vezes menor que o norte-americano.

Sem contar a tensão interna chinesa: acontecem dezenas de milhares de rebeliões por ano na China de vários aspectos: social, cultural, demográfico e até religioso. Mesmo com os líderes chineses desfilando orgulhosamente nos palanques internacionais, o clima interno é mantido pela bandeira do nacionalismo “comunista”. Por isto, é fácil constatar que a China não possui força nem intenção de desafiar a soberania mundial norte-americana, porém  impõe respeito como potencial substitudo dos Estados Unidos como a nação pacificadora do Oriente(irônico?).

No fim das contas, denominar China e Estados Unidos como o G2 no sentido de naçõs equivalentes é um engano, ao menos por enquanto.

Outras fontes utilizadas:
  1. Vote Brasil - China será a segunda maior potência global em 15 meses
  2. Mercado Ético/Terra - IDH da China é o que mais cresce no mundo
  3. Wikipédia(pt) - Lista de países por IDH
  4. Wikipédia(pt) - Lista de países por PIB nominal
  5. Wikipedia(en) - List of countries by GDP(PIB) per capita
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