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Nostalgia dos rins

4 de Outubro de 2009 Deixe um comentário Go to comments

Opa. Hoje, lendo a última edição da revista Época (Nº 594) fiquei feliz ao saber que fôra adicionado um novo blog ao site da revista, era o Sob a lupa do economista, feito por dois economistas professores da USP e autores de um livro com o mesmo nome. O livro trata da análise econômica sobre aspectos inusitados como bruxaria, futebol, terrorismo e muitos outros, alem dos assuntos “clichês”.

Lendo o blog, havia um post fornecendo acesso a uma “palinha” do livro: prefácio, sumário e dois capítulos. Passei os olhos por cima do prefácio, li alguns títulos interessantes de capítulos do sumário, como: “Harry Potter e o preço da passagem de avião”, “O ovo e a galinha na economia do crime”, “O outro lado das epidemias”, entre outros. Mas o primeiro capítulo dos dois fornecidos gratuitamente tinha o título: “Rins à venda“. Este deve ter sido o que as pessoas chamam de momento nostálgico.

No meu post “Vende-se um Rim” eu presumi que apenas as pessoas com maior poder aquisitivo poderiam comprar os órgãos e indaguei: “Salvar alguns ricos ou -assassinar- muitos ricos e pobres?“. Em resumo, a solução que dei foi que o Estado deveria pagar pelos órgãos vendidos e entregá-los aos que precisam, dessa forma criando, legalizando e incentivando o mercado de rins. Agora percebi o quanto não-liberal eu fui, dando ao governo a responsabilidade sobre um mercado tão atípico. Que Adam Smith me perdôe, amém.😛

A solução dos professores da USP me deu inveja de tão simples e prática: para uma família que possui um dos membros precisando de um rim mas os parentes são incompatíveis para transplante, outro parente saudável venderia o seu rim e, com o dinheiro arrecadado, compraria um rim de outra pessoa que possui compatibilidade biológica com o rim do membro da família. Desta maneira, ser rico ou pobre pouco importaria na medida que com a ajuda da família, o mercado de rins seria bastante justo e eficaz.

Porém, o problema é que muitos países proíbem a venda dos órgãos por um montante monetário, como comprar um chiclete por 10 centavos. Até porque é bem provável que mesmo as pessoas que não precisem de um novo rim entrariam no mercado para formar um comércio. Para evitar estes problemas, os professores vão além: sugerem a implementação de uma instituição que faria o cadastro de pessoas procurando por rins e outras dispostas a doar. Ou seja, você não pagaria com dinheiro, mas com outro rim. Seria um mercado de troca organizado, por empresa pública ou privada.

Esta leitura que fiz dos professores foi ótima para abrir a porta da autocrítica: minha visão individualista pode afetar -e afeta- minhas conclusões: sugeri uma solução beseado que uma pessoa estava “sozinha” no mundo, precisando de um rim e com dinheiro nas mãos, não levei em consideração que grande parte das pessoas possuem família dispostas a ajudar, pois o custo de ver um parente em sofrimento somado com o custo do risco de uma operação de transplante é menor que a receita de tê-lo curado.

Pois é. Acho que o blog finalmente está fazendo o papel que eu esperava quando eu criei, acompanhar minha (des)evolução com o passar do tempo. Abraços!

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