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20 de Outubro de 2011 1 comentário

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Setor aéreo brasileiro dividido

6 de Junho de 2011 Deixe o seu comentário

É angustiante testemunhar a falha do Estado em uma atribuição considerada básica. Devido aos prazos de construção da Copa de 2014, o governou se viu obrigado a conceder à iniciativa privada a construção de novos aeroportos e a gestão de vários outros já existentes: Guarulhos e Viracopos(SP), Galeão(RJ) e Confins(MG).

Apesar da forte importância econômica, o setor aéreo tem na segurança interna o maior peso para atribuir o setor ao controle estatal. Não é por acaso que todos os maiores aeroportos do mundo, excluindo Londres e Cingapura, são estatais.

Cada aeroporto será controlado em 51% pela iniciativa privada e 49% ainda pela Infraero, dando a esta certo controle, porém sempre submetido ao interesse econômico das empresas.

O pior de tudo é que justamente este interesse econômico das empresas, o lucro, é que fez o governo ceder os principais aeroportos: apenas eles apresentam possibilidade de lucro, tornando-os interessantes ao setor privado. Os de menor tráfego não conseguem atingir esta meta e, portanto, ficarão ainda sob controle estatal.

O governo falhou onde a iniciativa privada tem bastante interesse. Alguns setores de infra-estrutura em particular, como fornecimento de água e energia, não é de interesse para a sociedade em geral pois a concorrência e conseqüente divisão do mercado iria gerar altos custos seguidos de altos preços ao consumidor, por isso temos o monopólio estatal nestes alguns setores. Ao contrário, o setor aéreo possui grande possibilidade de lucro e, por isto, o governo deveria ter sido mais atento à sua atuação nele pois, a partir de qualquer vacilo, a sociedade passa a ter interesse no controle privado, devido à teórica maior eficiência.

Fontes: (não achei nenhum outro site reportando a notícia)

O Desmonte da Infraero 03/06/2011
Governo anuncia concessão de aeroportos à iniciativa privada 31/05/2011

Vitrine Líbia a Céu Aberto

3 de Abril de 2011 Deixe o seu comentário

Ao contrário da restrição aérea na Líbia, a exposição do arsenal de guerra ocidental está liberada.

Uma coisa é ser óbvio, outra coisa é ser oficial. É óbvio que a França aproveita a guerra para demonstrar seu arsenal de guerra, principalmente o caça Rafale. Mas oficializar é, no mínimo, triste: foi assim que fez o subdiretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas francês, Jean Pierre Maulny, ele disse que “embora o Rafale já seja empregado no Afeganistão, esse conflito não é popular. E por isso, os industriais precisam informar sobre o material. Talvez [ a operação na Líbia] seja  uma forma de fazer publicidade do Rafale graças à experiência em combate”.

Sim, triste. Mas realista. Eu mesmo não gosto de me iludir com mentiras. A realidade é que esta guerra, teoricamente à favor da democracia, também é movida por dinheiro. Apesar da motivação monetária estar no fim da frase, estou inclinado a dizer que é o motivo mais importante. Dinheiro que, no caso do Brasil, é representado pela cifra de R$ 4 bilhões, custo que o governo pretende gastar na compra de 36 caças onde o Rafale está na disputa, junto com o Gripen NG da sueca Saab e o FA-18 Hornet da americana  Boeing.

A experiência conta à favor da posição francesa, pois o mesmo foi feito em 1967 na Guerra dos Seis Dias, no Irã. Na ocasião, depois da vasta utilização do Mirage 3, o modelo tornou-se fonte de renda para a França até o fim de 1980. Tudo bem, a França tem crédito democrático pela Revolução Francesa. Mas, infelizmente, ela foi  movida basicamente por interesses econômicos: produção agrícola insuficiente, atingindo principalmente os camponeses; e negação de novos impostos ao clero e nobreza, que buscaram ajuda nos burgueses, que por sua vez aspiravam ascensão.

Por favor, não estou querendo com este post difamar os franceses ou dizer que tudo é dinheiro. Mas precisamos saber que cada um age baseado em um incentivo e muitas pessoas têm no dinheiro um grande incentivo: sejam franceses, líbios os brasileiros.

Fonte: Reportagens Portal Exame

Sarkozy afirma que aviões franceses já estão combatendo na Líbia (19/03/2011)
Aviões franceses abrem fogo contra tropas de Kadafi (19/03/2011)
França realiza 1º disparo contra veículo pró-Kadafi na Líbia (19/03/2011)
Aviões franceses retomam operações na Líbia pelo 3º dia (21/03/2011)
Líbia, uma salvação comercial para o Rafale francês (21/03/2011)
Aviação francesa destruiu pelo menos 5 aviões líbios e 2 helicópteros (26/03/2011)
Franceses bombardeiam ‘centro de comando’ perto de Trípoli (28/03/2011)
Consórcio Rafale faz parceria com empresas mineiras (01/04/2011)

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Água Nessa Semana e No Século

26 de Março de 2011 Deixe o seu comentário

Dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. Infelizmente, o que é falado neste dia é a necessidade de conservação e uso eficiente deste recurso vital para a vida.

Segundo estudos, até 2050, 3/4 da população mundial sofrerá de alguma forma devido à falta de água. O Brasil é privilegiado neste ponto: temos 12% da água doce de superfície e 30% subterrânea do mundo! A boa ( ou má, você escolhe!) notícia é que o parque industrial brasileiro está localizado longe da região Norte, de maior  concentração de água. Por isto, é importante que a partir de agora, todo o empreendimento adotado nesta área possua característica sustentável e, para tanto, será necessário empregos que gerem alta renda pois, atualmente, nesta região a maioria dos meios de trabalho são de baixa tecnologia, deixando margem para a poluição e uso ineficiente dos recursos hídricos. Ou seja, planejamento e aplicação para o longo prazo eficiente.

Como sabemos, no futuro, a água vai se tornar um dos recursos mais importantes globalmente, pois hoje em alguns lugares ela já é relativamente mais cara que o petróleo bruto. A água irá começar a aumentar sua reprensatividade nos custos totais de uma empresa, não só por seu custo em si mas também por toda a legislação -e punição- que começará a entrar em vigor sobre a utilização da água. Ela será um insumo de grande peso no meio empresarial e, por isto, é provável que haja uma tendência de deslocamento do setor industrial para áreas com grande poder hídrico, visando minimizar tal custo.

Como grande parte dos custos, a eficiência no uso hídrico irá tornar-se um meio de competitividade entre as empresas. Aquela que utilizar menos água para produzir o mesmo produto, irá sair na frente no mercado. Por exemplo, o Brasil “deverá atrair a atenção internacional, nos próximos anos, por ser um grande exportador de itens que precisam de muita água para serem elaborados, como as commodities agrícolas”. Na verdade, 95% do consumo de água brasileiro é feito de forma indireta, ou seja, foi utilizado na produção dos produtos que compramos; apenas 5% é consumido diretamente, na forma bruta.

Hoje, o Brasil é o maior consumidor e utilizador de agrotóxicos do mundo: contaminação por estes produtos está em 4º lugar na saúde brasileira. Felizmente, uma universidade brasileira (UnB) desenvolveu uma pesquisa que resultou no desenvolvimento de um método que reduz em até 43% a contaminação de água por pesticidas, já é um grande avanço na sustentabilidade, e esta é a tendência daqui para frente: quanto maior for a importância econômica da água, maior será o investimento em como reduzir seu custo: infelizmente, o dinheiro -também- faz o mundo girar.

Como exemplo disto, temos no Brasil a gigante Ambev que, como produtora de bebidas frias, tem como a água um de seus principais insumos e, portanto, faz parte de um dos setores mais sensíveis ao preço da água em relação a outros setores que pouco a utilizam. Esta empresa lançou uma campanha, em parceria com a Sabesp(concessionária de água de SP), que consiste basicamente em: ao reduzir o consumo de água, a família ganha pontos para gastar em sites como Submarino e Americanas. É um ganho extensivo:  ganha o indivíduo por reduzir a conta de água e aumentar o consumo de outros produtos, ganha a sociedade por reduzir e conscientizar o consumo de água e apimentar o consumo de outros bens e ganha a Ambev por reduzir seu gasto com esta campanha graças à parceria e ganha principalmente por reduzir o consumo de água em geral, que acabará diminuindo a crise de água no médio e longo prazo, período de tempo que empresas de grande porte como a Ambev estão preocupadas.

Desliguem a torneira ao escovar os dentes!

Fontes:

Água determinará local das empresas no futuro, diz professor (22/03/2011)
Uso racional da água pode trazer vantagem competitiva (22/03/2011)
UnB desenvolve fórmula que reduz 43% risco de contaminação da água por pesticida (22/03/2011)
AmBev lança plano de fidelidade por economia de água (22/03/2011)
Os perigos dos agrotóxicos no Brasil (25/03/2011)

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Bens “Substitutos”

20 de Março de 2011 Deixe o seu comentário

O brasileiro, ao comprar produto pirata, sente no bolso quase o mesmo que os moradores dos Estados Unidos sentem quando adquirem o produto original.

É o que diz a pesquisa Media Piracy in Emerging Economies da entidade de pesquisas, com base em Nova Iorque, Social Science Research Council. O item usado como base foi o DVD “Batman, o cavaleiro das Trevas”. O original custava para os americanos U$ 24, ajustando ao poder de compra vs. renda brasileira, custaria U$ 85 aqui. Já o “similar” nos Estados Unidos custava cerca de U$ 3,50, ajustando-se para a realidade brasileira, teria impacto de $ 20 para nós.

É claro que não vamos usar esta relatividade para justificar o consumo pirata, mas ajuda a explicar. Não é difícil intuir que considerando o mesmo preço para um item, quanto maior o poder de compra(renda), menor será o impacto deste item no orçamento final. Nessa lógica fica fácil identificar os países com maior tendência ao mercado ilegal: os emergentes, de baixa renda per capita.

Apesar disto, o Brasil foi recentemente retirado da lista de “mercados notórios” de pirataria e contrabando, feita pelos Estados Unidos. Do BRIC,  apenas o Brasil ficou de fora em 2011, com a China disparada em primeiro lugar geral. Infelizmente, esta notícia gera um incentivo para acreditar que a situação está boa, quando na verdade está apenas um pouco menos ruim.

O caso brasileiro é agravado com o crescimento da classe C, conhecida por seus hábitos de consumo bastante intensos. Segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, de 2006 para 2010, o número total de consumidores destes produtos subiu em 14 milhões, num total de 70 milhões de pessoas. A porção da classe C subiu de 49% para 53%, já para as classes AB houve uma diminuição de 53% para 47%.

Como vimos, 70 milhões de consumidores não é pouca coisa, é preciso uma campanha estatal mais efetiva: as políticas públicas de fiscalização e apreensão da pirataria poderiam ser bem mais eficazes com a conscientização das massas dos efeitos nocivos da pirataria. Muitos consumidores vêem os pirateiros como desempregados sem oportunidades, quando na verdade a pirataria é apenas uma fonte de receita para o mundo ilegal em geral, é simplesmente um ramo de comércio do crime organizado.

O tema seria bem interessante para um artigo econômico: primeiro tentar identificar o quão substituíveis são, para os consumidores de cada classe, os bens originais e piratas entre si. Depois mensurar qual o peso que uma cesta dos principais bens passíveis de pirataria tem nos gastos familiares. Em seguida tentar estimar a sensibilidade de consumo desta cesta em relação à renda. Com estes dados, será possível aproximar o aumento de consumo pirata com a expansão econômica e, a partir daí, calcular o quanto vale a pena o governo gastar em campanhas para reduzir este consumo.

Classe C impulsiona consumo de produtos piratas (30/11/2010)
EUA retiram Brasil de lista de pirataria (01/03/11)
No Brasil, DVD pirata custa mais que o triplo nos EUA (07/04/11)

Webjet um passo à frente

17 de Setembro de 2010 Deixe o seu comentário

À primeira vista parece que a passagem vai ficar mais cara, pois vai deixar de ser gratuito para ser pago: não. Segundo a notícia, o serviço a bordo passará a ser opcional, assim como acontece na maioria das empresas dos Estados Unidos e Europa, então a passagem sem o serviço de bordo ficará mais barato.

Junto com as servidores de telefonia, as companhias aéreas são exemplos clássicos na economia de setores que praticam a discriminação de preço: diferentes preços para um mesmo produto, dependendo do tipo de consumidor. Existem basicamente dois tipos: o turista e o empresário. O turista normalmente viaja durante o fim de semana e volta no domingo, a passagem é um grande peso do custo total da viagem, e por outros motivos, o turista é mais sensível ao preço e por isto este costuma ser mais barato. Já o empresário normalmente viaja durante a semana e quem paga a passagem é a empresa, então há maior liberdade da operadora aérea cobrar preços mais altos.

Agora a discriminação também será feita no cardápio da Webjet. Veja os preços de alguns itens:

  • Sanduíche: R$ 12,00
  • Refrigerante: R$ 4,00
  • Chocolate:  R$ 4,00
  • Combo (sanduíche + refrigerante + chocolate): R$ 18,00

Repare que separados, os itens custam R$ 20,00 porém no combo apenas R$ 18,00, por que a Webjet usa essa estratégia? Simples: normalmente, uma pessoa não consome um salgado com um doce (refrigerante e chocolate – demandas inversamente proporcionais) e por isto estaria satisfeita com apenas o sanduíche e o refrigerante por apenas R$ 16,00. Porém, no combo o chocolate sairia por apenas mais R$ 2,00 em vez dos R$ 4,00 e isto cria um incentivo para comprar o combo.

Ela provavelmente não faria isso com, por exemplo, apenas o sanduíche e refrigerante, pois estes são bens relativamente complementares, e uma diminuação do preço em “pacote” para, por exemplo, R$ 14,00 provavelmente traria lucros menores.

Acho legal quando vejo no dia-a-dia o que é visto nos livros. =)

Porquê Sardenberg errou a previsão da Copa 2010

10 de Julho de 2010 Deixe o seu comentário

Não poderia deixar de comentar algo relacionado com a Copa. Comentarista da TV Globo e âncora da Rádio CBN, o economista Carlos Alberto Sardenberg propôs uma fórmula para prever quem seria o grande campeão, a qual o Brasil aparecia como o favorito. Não aconteceu. Por que? Antes de responder, vale dizer que estou me sentindo como um fungo unicelular entre os dedos dos pés de Davi ao enfrentar Golias, mas vou aproveitar o clima desportista: o importante é participar!

Como Foi: Sardenberg separou três critérios principais para usar na probabilidade: (a) a população do país, (b) a renda per capita e (c) a colocação do país no ranking da FIFA. Para ele, quanto mais populoso fosse um país, mais jogadores haveria; e quanto maior a renda per capita, mais rico seria o país, dando condições para se investir em uma estrutura profissionalizante de futebol. O ranking da FIFA seria um medidor da qualidade do futebol de tal país.

Como É: Na minha opinião, um país mais populoso não é necessariamente aquele com mais jogadores pois precisamos nos lembrar do fator popularidade do futebol. Por exemplo, a China é muitas vezes mais populosa que o Brasil, mas será que há mais jogadores chineses que brasileiros? Não sei, mas provavelmente não. Segundo, será que a renda per capita está ligada ao esporte de melhor qualidade? Talvez, mas eu diria que não necessariamente. No Brasil mesmo, o esporte é uma das poucas opções da fuga da pobreza. Levando isto em consideração, podemos até dizer que renda per capita e quantidade de profissionais são na verdade inversamente proporcionais. Por último, o ranking: se a FIFA já enumera os melhores times de futebol, por que então existe um torneio da própria FIFA para se disputar justamente quem é a melhor seleção? Finalmente, qual das duas maneiras se define a melhor seleção? É meio paradoxal isso.

Como deveria ser: Primeiro, a população absoluta deveria ser ajustada pelo o grau de popularidade do futebol: que porcentagem da população pratica o esporte regularmente. Depois, averiguar a renda per capita versus investimento no esporte, ou seja, um índice que indica como cada país dedica seus recursos para o futebol, que também 
deve variar bastante por causa da popularidade do esporte. Por último, dar menos ou nenhuma relevância ao ranking da FIFA, pois no campeonato mundial, os times estão submetidos a outras múltiplas variáveis que geralmente faz o resultado fugir daquele proposto pelo ranking.

No final das contas, seria bem mais fácil falar que a fórmula apresentou apenas a maior probabilidade.

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